Encontro de Turismo Regenerativo reúne lideranças no Sul da Bahia

Visita à Reserva Natural do Campo Cheiroso. Foto: Wally Ricardo

A Reserva Natural do Campo Cheiroso (RNCC), localizada na Área de Preservação Ambiental (APA) Itacaré/Serra Grande, virou amplo estudo de caso e de troca de experiências entre os participantes do I Encontro de Turismo Regenerativo do Sul da Bahia, que aconteceu em 22 e 23 de maio de 2026, reunindo cerca de 150 pessoas nos dois dias de evento. O Campo Cheiroso protege nascentes vitais para a região e o raro ecossistema de mussununga, caracterizado pela alta biodiversidade e extrema fragilidade ecológica. 

Com apoio da FAPESB, o Instituto Floresta Viva (IFV) realizou dois anos de estudos e mapeamento das paisagens do Campo Cheiroso, ao mesmo tempo que conseguiu mobilizar recursos financeiros para adquirir os seus 282 hectares, no intuito de transformar essa área em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). “Estamos trocando experiências com várias organizações para entender que tipo de turismo pode ser feito no Campo Cheiroso,a fim de preservar esse refúgio de biodiversidade. A gente tem um olhar muito cuidadoso, pois a atividade turística aqui precisa ser muito moderada, de baixíssima intensidade, com fins científicos, com fins educacionais, com fins regenerativos. Uma das ideias é ter um grupo de turistas vindo para cá para ajudar o Campo Cheiroso a se regenerar, por exemplo. 

“Tem uma coisa bem elementar em minha opinião que pode explicar o que é turismo regenerativo: é uma espécie de turismo que pode melhorar o lugar em vez de piorar. Melhorar para as pessoas que estão aí, especialmente para os moradores originários, melhorar para a natureza, olhem só que utopia incrível! Será que o turismo pode ser capaz de melhorar o lugar, ao contrário de piorar? Isso depende de nossa educação, de nosso cuidado com essa atividade”, afirmou Rui Rocha, fundador do Instituto Floresta Viva, durante a abertura do encontro.  

Na programação matinal do primeiro dia, os participantes conheceram a sede do Instituto Floresta Viva, em Serra Grande (Uruçuca – BA), que sustenta desde 2009 um viveiro especializado em produzir mudas de plantas nativas da região e um projeto de recuperação de espécies raras e ameaçadas de extinção. 

Depois, o grupo seguiu para uma visita ao Campo Cheiroso, com diversas atividades que promoveram experiências e contato genuíno com as paisagens naturais, como trilhas pela Mata Atlântica, contemplação ao redor da represa, acompanhamento do trabalho de mitigação de um processo de erosão, almoço na casa de Dona Maria, moradora local. A programação deste primeiro dia finalizou com uma grande colheita de aprendizagens e, principalmente, de recomendações de como aprimorar o turismo dentro do Campo Cheiroso. Destaque para a forte participação de moradores e lideranças da Vila Camboinha (vizinha ao Campo Cheiroso), dispostos a unir forças para cuidar e proteger esse santuário natural, que faz parte da memória de muitas gerações. A sexta-feira terminou apreciando os sabores da Feira Comunitária da Camboinha, com artesanato e comida caseira. 

Reflexões sobre o conceito de turismo regenerativo a partir de experiências exitosas 

Segundo dia do Encontro de Turismo Renegerativo. Foto: Carline Piva

O segundo dia da programação aconteceu no auditório do Ecoporan Hotel, em Itacaré, reunindo especialistas em conservação ambiental, turismólogos, lideranças comunitárias, gestores públicos, representantes do setor hoteleiro e estudantes universitários para conhecer diversas atividades regenerativas que já vem sendo realizadas na região do Sul da Bahia, como subsídios para trazer aplicações e aprendizados também para o Campo Cheiroso. 

O coordenador de pesquisas do IFV, Tássio Moreira, apresentou os resultados dos estudos já feitos na Reserva Natural em relação ao solo, paisagem e vegetação, reforçando que a preservação dessa área contribui fortemente para o equilíbrio ecológico das florestas e paisagens do entorno, inclusive o Parque Estadual Serra do Conduru (PESC). 

Ao longo do dia, foram feitas muitas apresentações e reflexões sobre diversos temas, tais como: 

  • oportunidades de negócio voltados ao ecoturismo, como observação de aves e vidas silvestres – Eixo 4 – Soluções Inteligentes;
  • programas e destinos turísticos que incluem a compensação das emissões de carbono (créditos ecossistêmicos) – Movimento Mecenas da Vida;
  • atividades culturais e socioambientais em comunidades de Itacaré – Instituto Yandê Itacaré;
  • iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura afro-descendente e povos quilombolas – Turismo de base comunitária do Porto de Trás/Itacaré;
  • projeto envolvendo produção de pães de fermentação natural e criação da Feira Comunitária da Camboinha – Pão da Horta;
  • projeto envolvendo gastronomia, educação e cultura para fortalecimento comunitário, principalmente das mulheres – Associação Mais Serra/Serra Grande; 
  • atividades de turismo na natureza – Mar de Selva; 
  • vivências na natureza na Reserva Florestal Toca do Tatu – Muriqui Ambiental.

O encontro contou ainda com uma roda de conversas e reflexões sobre o conceito de turismo regenerativo, ainda em desenvolvimento, contando com a apresentação do professor da UESC Sócrates Jacobo Moquete Guzmán e o relato do jornalista Pedro Angel, da República Dominicana. Como fechamento da programação deste segundo dia de evento, contamos com a presença da consultora Paula Arantes (Futuri Brasil – Aliança pelo Turismo Regenerativo), que desenvolveu um trabalho de observação no Campo Cheiroso, junto à equipe do Instituto Floresta Viva, e ajudou a pontuar, juntamente com o coletivo presente, recomendações e boas práticas que poderão fomentar e potencializar a causa do turismo regenerativo em toda a região do Sul da Bahia. 

O Instituto Floresta Viva agradece muito a presença de todos os participantes do I Encontro de Turismo Regenerativo do Sul da Bahia! 

Agradecimento especial também aos apoiadores: Fundação Grupo Boticário, FAPESB, UESC, SEBRAE, SETUR, Eixo 4 Soluções Inteligentes, Ecoporan Hotel e Movimento Mecenas da Vida

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